“É 29 de agosto, em 48 horas o destino de Amélie Poulain mudará para sempre…” 💫
O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, é um dos meus filmes prediletos. A personagem, Amélie, se dedica a criar pequenas revoluções na vida dos outros, sempre de modo secreto, sem se deixar ver. Há beleza nesse gesto, mas também um limite: ela própria permanece à margem do seu desejo, protegida por fantasias que a afastam do risco de se implicar.
Na psicanálise, reconhecemos esse movimento: o sujeito pode sustentar-se como espectador de sua vida, investindo energia em histórias alheias, mas adiando o encontro com o que lhe é mais íntimo. Muitas vezes é preciso atravessar esse véu de ilusões e encarar que o destino não está escrito, ele se reinventa quando o sujeito se autoriza.
O fabuloso destino de Amélie começa, de fato, quando ela deixa de se esconder e se arrisca no encontro com o outro. Assim também na análise: é no momento em que o sujeito se coloca em jogo que a vida deixa de ser uma narrativa observada de fora e passa a ser, enfim, vivida.
Amélie só descobre seu destino quando decide deixar de ser espectadora e se autoriza a viver.
Na análise, o movimento é semelhante: sair do esconderijo e passar a bancar o desejo. Quem sabe assim, dar novos destinos a própria história. 💖 🦹🏻♀️
